De Olho na Conta: etanol ajuda a descarbonizar o transporte no Brasil

Quando pensamos nas escolhas que fazemos todos os dias, abastecer o carro pode parecer uma decisão simples, baseada principalmente no preço. Mas, para quem dirige um veículo flex, essa decisão também pode contribuir para reduzir os impactos ambientais. É justamente essa reflexão que trazemos em mais uma edição do De Olho na Conta, mostrando como o etanol pode ser um aliado na redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE).

O uso do etanol de cana-de-açúcar reduz as emissões de GEE em média de 70% a 90% ao longo de todo o seu ciclo de vida, do campo ao escapamento, quando comparado à gasolina A (pura). Na prática, quando optamos pelo etanol, contribuímos para diminuir nossa pegada de carbono e para uma matriz de transporte mais limpa.

Essa diferença está relacionada ao ciclo de carbono de cada combustível. A gasolina libera na atmosfera carbono fóssil, armazenado há milhões de anos. Já o etanol é produzido a partir da cana-de-açúcar, que absorve CO₂ durante seu crescimento por meio da fotossíntese. Estima-se que cerca de 80% a 90% do CO₂ liberado pelo escapamento de um veículo movido a etanol seja neutralizado pela absorção realizada pela cana-de-açúcar.

Os números ajudam a dimensionar essa diferença. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no âmbito do RenovaBio, indicam intensidade de carbono média de 20 a 25 gCO₂eq/MJ para o etanol hidratado de cana, enquanto a gasolina de referência fóssil fica em torno de 87,4 gCO₂eq/MJ.

Também temos características da cadeia produtiva brasileira que contribuem para esse resultado. A cana apresenta alta produtividade fotossintética e, nas usinas, aproveitamos bagaço e palha para gerar vapor e energia elétrica. Na produção, usamos vinhaça e torta de filtro como adubação orgânica, substituindo parte dos fertilizantes sintéticos de alta pegada de carbono, além de adotarmos práticas como plantio direto e fixação biológica de nitrogênio.

Os benefícios também se estendem à qualidade do ar. A queima do etanol praticamente não gera óxidos de enxofre (SOx) e reduz significativamente as emissões de material particulado e monóxido de carbono (CO) em relação à gasolina. A cadeia ainda favorece a economia circular, com o aproveitamento da vinhaça para fertirrigação, do bagaço para geração de energia elétrica e do biometano.

Para quem tem um carro flex, a escolha pelo etanol traz benefícios que vão além da economia. O combustível possui queima mais limpa, ajudando a reduzir o acúmulo de resíduos no motor e a preservar seu desempenho por mais tempo, além de proporcionar um aumento de potência. Por ser renovável, também contribui para reduzir nossa pegada de carbono.

É justamente para levar esse tipo de informação de forma simples e acessível que existe o De Olho na Conta. No perfil @deolhonaconta, transformamos temas relacionados ao abastecimento em conteúdos fáceis de entender e conectados às situações do nosso dia a dia.

Fontes: Dados abertos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no âmbito do Programa RenovaBio e Painel de Certificados de Eficiência Energético-Ambiental; Embrapa Meio Ambiente – RenovaCalc; Empresa de Pesquisa Energética (EPE) – Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) e publicações do Programa RenovaBio (Ministério de Minas e Energia); Macedo et al. (2008), Greenhouse gas emissions in the production and use of ethanol from sugarcane in Brazil (ÚNICA/LACTEC): The 2005/2006 average and a forecast for 2020, Biomass and Bioenergy, 32(7), 582-595; Seabra, J. E. et al. (2011), A comprehensive environmental assessment of sugarcane ethanol production in Brazil, The International Journal of Life Cycle Assessment, 16(6), 548-558; Tsao, C. C. et al. (2012), Air quality impacts of sugarcane ethanol usage in Brazil, Environmental Science & Technology, 46(18), 10022-10030; Relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC); estudos da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA)

*Conteúdo interno São Martinho. Proibida a divulgação em redes sociais.

Deixe o seu comentário

*